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Lobisomen - Série terrorcore

"...Em Portugal o lobisomem é o filho que nasce depois de uma série de sete filhas. Em
geral fica pálido, doente, tristonho, cheio de manias, quase sempre geófago contumaz...
... Sob a pele do fenômeno, terá de correr as sete partidas do mundo, sete adros, sete vilas, sete outeiros, sete encruzilhadas. Ao terceiro cantar do galo retoma a forma humana. É de notar o uso de um número que a astrológica caldaica tornou fatídico – o 7. Para desencantá-lo é mister o signo de Salomão, a estrela de dois triângulos. Vendo-a, perde o veso das correrias. Podem matá-lo também. Invulnerável a tiro,
é sensível a qualquer ferro aguçado. Quem manchar-se no sangue do lobisomem, herda o hábito.
Para o Sertão o lobisomem está fixado em dois modos: como castigo e como moléstia. A reminiscência de Licaon é patente no primeiro caso. Júpiter, pai dos homens, castigou um filho espúrio, fazendo-o lobo. O mau filho é candidato a lobisomem. O “doente” é pessoa apontada comumente. Magro, descarnado, vacilante, de olhos apagados e face decaída, o licantropo sertanejo é um tipo vulgar de opipalo, uma vítima da verminose, mais filho do helminto que de Belzebu."

LICANTROPIA SERTANEJA – por Luís da Câmara Cascudo

Final

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